Texto: Iures Wagmaker         Foto: Iures Wagmaker

Carnaval de Congo: tradição e mistério por trás das máscaras atravessam gerações em Cariacica

A festa é um mergulho na cultura popular capixaba, onde cada detalhe carrega memória, resistência e identidade

domingo, 12 de abril de 2026

Carnaval de Congo: tradição e mistério por trás das máscaras atravessam gerações em Cariacica

Nesta segunda-feira (13), feriado estadual de Nossa Senhora da Penha, a comunidade de Roda D’Água se enche de cores, sons e histórias com a realização do tradicional Carnaval de Congo de Máscaras. A festa é um mergulho na cultura popular capixaba, onde cada detalhe carrega memória, resistência e identidade

Entre tambores e cantorias, um dos símbolos mais marcantes dessa tradição chama atenção: as máscaras. Elas não são apenas adereços, mas verdadeiras obras artesanais que guardam significados profundos e ajudam a manter viva uma história que atravessa séculos.

A confecção das máscaras começa de forma simples e conectada à terra. O primeiro passo é a extração do barro, utilizado para moldar o formato do rosto. Sobre esse molde, é colocado um plástico e, em seguida, camadas de papel com cola, que vão dando forma à máscara. Depois de seca, a peça recebe uma base de tinta branca, preparando a superfície para ganhar cores vivas e expressivas. Na etapa final, um pano é fixado à máscara, ajudando a esconder completamente a identidade de quem a veste.

É assim que nasce a figura do João Bananeira, personagem icônico do Carnaval de Congo. Coberto por máscara, folhas de bananeira e tecidos, ele percorre as ruas como símbolo de liberdade e tradição. A origem dessa prática remonta ao período da escravidão. Segundo a tradição, os escravizados se fantasiavam para participar da festa sem serem reconhecidos. A máscara, então, não era apenas um elemento festivo, mas um instrumento de proteção e resistência cultural — um jeito de celebrar, mesmo em tempos difíceis.

Hoje, esse legado continua sendo preservado por mestres da cultura popular, como o Mestre Cemi, da Banda de Congo Mestre Tagibe, que há anos se dedica à produção das máscaras. Tradição que aprendeu com o avô e o pai, que dá nome à banda comandada por ele na festa.

"Antigamente, as máscaras tinham formatos e cores escuras que davam mais medo. Elas lembravam os capitões do mato da época da escravidão. Era uma forma forte de expressão. Hoje a gente pinta com cores mais vivas, mais bonitas, para chamar a atenção e conquistar o carinho das pessoas. A tradição continua, mas também se adapta", explica Mestre Cemi.

Apesar da beleza e do significado, ele lembra que o número de brincantes fantasiados diminuiu ao longo dos anos. “Antigamente, era comum ver mais gente fantasiada do que sem fantasia no Carnaval de Congo. Hoje são poucos que ainda se vestem de João Bananeira, mas quem mantém essa tradição carrega um pedaço muito importante da nossa história”, destaca.

Carnaval de Congo de Máscaras

O Carnaval de Congo de Máscaras de Roda D’Água acontece nesta segunda-feira (13), a partir das 8h, no Campo do América. O evento vai reunir seis bandas de congo de Cariacica e diversas bandas convidadas. Além de cortejo e celebração congueira, a festa também conta com shows musicais.

Confira a programação:
- 8h: Início da concentração das bandas de congo na Casa do Congo de Mestre Tagibe
- 9h40: Saída do cortejo da Casa de Mestre Tagibe para o local do evento, Campo do América
- 10h30: Celebração Congueira e benção do Carnaval de Congo no Campo do América
- 12h: Show da Banda Cia Cumby.
- 13h30: Show Afro Congo Beat - Música e Ancestralidade, com Fábio Carvalho
- 14h30: Encontro de Bandas de Congo
- 18h: Encerramento com o canto tradicional “Iaiá você vai à Penha” e show pirotécnico

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