Fórum Municipal Sobre Álcool e Drogas propõe uma reflexão ampliada sobre o assunto

O evento tem o intuito de ampliar o debate e o conhecimento para proporcionar a formulação de políticas públicas no âmbito municipal,FOTO: Semco/Claudio Postay

O evento tem o intuito de ampliar o debate e o conhecimento para proporcionar a formulação de políticas públicas no âmbito municipal,FOTO: Semco/Claudio Postay


Com a temática “As Políticas sobre Drogas”, a professora convidada da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Fabíola Xavier Leal, apresentou as problemáticas em torno do assunto durante o Fórum Municipal sobre o Uso Arriscado de Álcool e outras Drogas, realizado na noite desta terça-feira (09), no auditório do Sest/Senat. O evento tem o intuito de ampliar o debate e o conhecimento para proporcionar a formulação de políticas públicas no âmbito municipal. Estiveram presentes o prefeito Geraldo Luzia Júnior, os representantes dos conselhos municipais da Educação (Comec), Paulo Cesar Passamai; da Saúde, Josenir de Araújo; da Assistência Social (Comasc), Juliana Bragança e do Antidrogas (Comad), Idalina de Souza Santos, além de secretários municipais e sociedade civil.


Para o prefeito o momento foi de extrema importância para organizar as ideias e os planos de ações a serem efetuados no município. “Temos a oportunidade de produzir um debate com conteúdo programático, acadêmico, além do conhecimento adquirindo na prática, em conjunto com a sociedade. Estou aqui como gestor público, para sinalizar a vontade política em efetivar de fato o conselho, em dialogar e convocar as secretarias para trabalharem com políticas públicas e interagirem com os demais segmentos. A tarefa do Poder Executivo é viabilizar para que as coisas saiam desse auditório e o resultado será o fortalecimento das famílias”, considerou.


Cenário

 forum2Há 10 anos estudando a temática das drogas, Fabíola Xavier Leal apresentou um pouco de suas experiências e reflexões. Num diálogo direto com os participantes, deixou algumas questões para serem refletidas. Para iniciar a explanação, a professora utilizou uma fotografia de uma tourada. “Faço uma alusão à situação que a imagem retrata. Enquanto o toureiro manuseia a capa vermelha, ele ilude o touro, fazendo-o acreditar que a capa é o seu inimigo, e, muito sabiamente, entrega-lhe as espadas para vencer a batalha. Será que não é isso que estamos vivendo, quando falamos de políticas sobre as drogas?”, provocou os ouvintes.


Segundo Fabíola, o mesmo acontece quando o assunto são as drogas. Ataca-se a capa, o lugar errado que não resolverá problema. “Agimos como um touro iludido que ataca determinada questão e esquece do que está acontecendo por trás e que vem nos atacar e nos vencer. Esta figura é emblemática para pensarmos e dialogarmos esta questão. Precisamos tirar a capa, ver além da aparência para, de fato, saber o é que preciso fazer”, alertou.


A professora apresentou dados em que O Brasil é o segundo maior consumidor de drogas do mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos. Ela acredita que o combate às drogas deve mudar de foco. “Estamos sempre atuando no efeito, no sintoma, no fim da linha sempre e apagando o famoso incêndio. No entanto, há outras questões acontecendo. Focamos na doença, na droga e esquecemos de pensar no que estar por trás dele. Quem é esse indivíduo que está usando a maconha, o rivotril, a heroína?”, indagou.


Discurso
Para a professora o discurso moralista e as formas de combate são questões preocupantes. Há intolerância a este consumo e medidas com finalidades higiênicas acabam se tornando repressivas, autoritárias e excludentes. “Todo o sentido da democracia estão violados. Se uso estas medidas, poucos terão acesso à democracia. É um cenário de cabo de guerra. Busca-se a internação como a única medida, de qualquer jeito, como se fosse a solução de todos os problemas. Quando não é o cárcere privado em casa ou instituições”, explicou.


A palestra também enfocou a banalização da morte frente ao cenário das drogas. Para a opinião pública, é reforçada que a morte dos indivíduos com envolvimento no tráfico não tem a mesma relevância que a de um inocente morto. A especialista recordou a complexidade de algumas questões como a diferença do tratamento para os dependentes químicos conforme a classe econômica, a reforma psiquiátrica, os elementos religioso e moral que permeiam os discursos sobre as drogas. “O tema é polêmico e contraverso. Mas não podemos sequestrar este tema pelas religiões e nem pela ciência, pois estes não são os extremos. É necessário pensar a cultura e a sociedade e estar com todos esses atores juntos”, orientou.



Informações Adicionais:
Texto:Analine Izoton
Jornalista responsável:Marcelo Pereira