Texto: Letícia Santos Foto: Jackeline Gomes

Durante os encontros no Centro de Convivência da Pessoa Idosa (CCPI), da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas), três histórias que dificilmente se cruzariam fora daquele ambiente acabaram se encontrando. Não por acaso, mas pela necessidade comum de ocupar o tempo, enfrentar perdas e aliviar dores físicas e emocionais. Sebastião Francisco, de 71 anos, Perpétua Foegi, de 74 anos, e Kátia Regina, de 62 anos, encontraram no equipamento público um novo jeito de recomeçar.
Sebastião Francisco frequenta o espaço desde a sua inauguração. A chegada ao CCPI foi consequência de um período marcado pelo luto e pela solidão. Após perder a esposa durante a pandemia da Covid-19, em 2020, ele se viu sem rumo e buscou na bebida uma forma de amenizar a dor. Com o passar do tempo, percebeu que precisava mudar e encontrou no CCPI o apoio necessário para dar a volta por cima.
“Meus filhos e netos nunca me cobraram nada, mas eu senti que precisava dar um basta. Vim morar um tempo com minha filha, aqui em Jardim América, ouvi falar do CCPI, fiz uma visita e nunca mais deixei de vir”, conta. Morador de Alto Lage, Sebastião participa das oficinas de música e dança e carrega no rosto um sorriso constante. “Aqui eu encontrei felicidade. Somos uma família. Se eu chego triste, alguém me abraça, conversa comigo. Isso me motiva a estar aqui todos os dias”, finaliza.
O sentimento de pertencimento também marca a trajetória de Perpétua Foegi. Professora aposentada, ela dedicou a vida à educação e teve a rotina alterada após enfrentar graves problemas de saúde e a morte do marido, de quem cuidou por anos após um AVC. Diagnosticada com uma doença genética e autoimune agressiva, chegou ao CCPI em um momento de extrema fragilidade física e emocional.
“Eu cheguei aqui praticamente sem nenhum movimento nas mãos. Comecei a fazer dança, exercícios e, junto com o tratamento médico, fui evoluindo. Hoje me sinto muito melhor”, relata. Para ela, o espaço representa alegria e acolhimento. “O CCPI virou meu lar. Aqui eu tenho amigos, sou cuidada e sou feliz”, afirma.
Já Kátia Regina chegou ao CCPI há quase três anos, assim que completou a idade mínima para participar das atividades. O interesse era antigo, mas a entrada só foi possível aos 60 anos. “Eu queria muito entrar, mas ainda não tinha idade. Assim que completei, comecei”, conta.
Kátia encontrou nas atividades físicas e, principalmente, na dança, uma aliada importante no tratamento de um problema sério no braço, que a impedia até de realizar tarefas simples do dia a dia. “Eu sentia muita dor, não conseguia estender roupa nem pentear o cabelo. Fiz terapia, mas a dor voltou. Quando comecei a praticar esporte e dança aqui, fui melhorando e a dor parou”, explica.
Para a secretária municipal de Assistência Social, Danyelle Lirio, histórias como essas mostram a importância dos centros de convivência. “O CCPI é um espaço fundamental para garantir qualidade de vida, autonomia e fortalecimento de vínculos. Aqui, os idosos encontram acolhimento, cuidado e a oportunidade de escrever novas histórias”, destaca.
O CCPI de Jardim América retorna do recesso na próxima segunda-feira (2) e ainda conta com 20 vagas disponíveis para novos participantes. O espaço oferece atividades como rodas de conversa, atendimento psicossocial, dança, teatro, artesanato, jogos de memória, música, atividades físicas e ações culturais que fortalecem os vínculos familiares e comunitários. Para se matricular, é necessário comparecer ao local. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (27) 3354-7127.
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